sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Heróis do Reveillon!

Cheguei há pouco da minha primeira São Silvestre. Uma das melhores experiências da minha vida. Lotado. 21 mil inscritos, um sem número de "pipocas" e milhares de espectadores (entre eles minha esposa, vale ressaltar). 
Já no elevador do hotel, a caminho da arena onde colocaria minhas pernas à prova dos 15 km da São Silvestre (SS) e enfrentaria a temida subida da Brigadeiro Luis Antônio encontro uma feliz família rumo a um passeio vespertino. Pai, mãe e duas filhas - uma de colo e outra aparentemente com três ou quatro anos. Eu estava devidamente paramentado, camiseta laranja da prova, número de peito pregado, chip no tênis.
O silêncio protocolar dos elevadores mantinha todos devidamente confortáveis quando o pai da meninas resolve quebrar a tradição. "Quer tirar uma foto com um corredor de São Silvestre filha". Dei um sorriso meio sem graça (em função da surpresa) e, orgulhosamente, retomei minha jornada rumo à Paulista. Na subida da Rua Augusta, um casal de senhores me vê e, quase em um cochicho, a mulher comenta com o marido: "olha, ele vai correr a São Silvestre". E assim é a travessia até onde uma multidão aguarda a largada da SS. 
No pelotão geral, muita ansiedade antes do início da prova. Cheguei cerca de duas horas antes da largada e fiquei em um lugar ótimo - em dois minutos já estava passando pelo portal e, logo em seguida, foi possível começar a correr. A sensação de celebridade permanecia no ar, com os milhares de espectadores torcendo e "empurrando" os gladiadores da SS. E foi assim durante todos os 15 km da prova. Difícil enxergar um metro sequer de calçada sem pessoas assistindo à passagem dos "atletas". Além das pessoas da torcida, se posso chamar assim, os personagens da SS também ajudavam na diversão.
Aqui vale fazer um parenteses. É claro que as pessoas fantasiadas são muito interessantes, mas para quem está correndo, às vezes, pode ser um pouco desconcertante ser ultrapassado por um deles. Mas é dia de festa, então.... Até o km 5, estive acompanhado de duas presenças ilustres: Chaves (não o da Venezuela - o outro, isso, isso, isso....) e Falcão (o ?cantor?). No km 6, fui ultrapassado por dois papais-noéis, dois diabinhos e um anão. Todos foram embora, não mais os encontrei. No km 7, Falcão ficou para trás, e o Chaves logo em seguida. Também foi por aí que comecei a sentir o joelho esquerdo, mas quem pararia? É festa.
No km 8, em um bar, um grupo grita "Brasil" orgulhosamente. Logo em seguida, uma senhora muito bem intencionada avisa aos corredores. "O Maílson ganhou!!!". Há um certo silêncio entre os que correm. Alguns metros em frente, alguém passa a notícia correta. "O Marílson ganhou a São Silvestre", grita um dos espectadores. Entre os atletas, urros de alegria e gritos de Brasil. A corrida continua. Ultrapasso o Jason (Sexta-Feira 13). Estamos próximos do temido km 13 e a subida. O início assusta um pouco, dá vontade de desistir, mas - de novo - quem pararia? No cartaz com o número do peito, também está o nome dos competidores. É fácil ouvir as pessoas gritando o seu nome, seguidos de um "não para", "vamos lá", "falta pouco".
Fim da subida. À direita, a Paulista. Faltam poucos metros. Acelero um pouco, me sinto bem (apesar do joelho). Então ouço novamente alguém gritar o meu nome... Dessa vez, porém, a voz é conhecida. À esquerda minha esposa me dá um alegre tchau, com um sorrisso orgulhoso no rosto. Faltam poucos metros. E é isso. Após 1h21 (tempo não oficial). Acabou para mim. Sei que o Marilson chegou bem antes, mas pessoalmente preferi ir um pouco mais devagar para aproveitar melhor o percurso. rsrsrsrs.
Valeu 2010!!!!!

P.S.: Escreverei um post mais técnico sobre a prova mais tarde. E peço desculpa a meus leitores pela ausência durante tanto tempo.